Site Overlay

Como acabar com as brigas de casal por causa de dinheiro?

Compartilhar uma vida a dois, por si só, já é um grande desafio. As dificuldades podem ser ainda maiores quando o assunto é dinheiro. A pesquisa mais recente realizada pelo SPC Brasil, em parceria com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CDNL), revela que 48% dos casais brigam por causa de finanças, sendo que 51% culpam o outro pelo desequilíbrio financeiro.

Outra pesquisa, realizada pela empresa Slater e Gordon no Reino Unido com mais de 2 mil adultos, descobriu que as preocupações com o dinheiro são o principal motivo de divórcio no país. 

Os primeiros passos na direção certa

Para um casal que está começando uma relação formal, pode ser difícil focar na vida financeira quando há fatores como carreiras em início e desejos de consumo que não foram saciados.

De acordo com a especialista em comportamento financeiro Ana Leoni, o principal desafio é conseguir sentar e definir, já na partida, como vão gerir as finanças conjuntas. “Essa discussão deveria começar antes, no momento em que definem o regime de casamento. A maior parte dos casais acabam optando pela comunhão parcial ou pela separação total de bens sem entender muito bem a necessidade daquela família que está se formando”. 

Quando se trata da divisão das despesas da casa, o acordo varia de casal para casal: existem aqueles que preferem dividir as despesas proporcionais à renda de cada um, enquanto outros adotam o critério “meio a meio”, e tudo que estiver fora desse acordo pode ser tratado pontualmente ou individualmente.

Ana lembra que manter a individualidade é importante, mas reforça que não dá para um casal não ter metas conjuntas. “Pense na aposentadoria: um poupou menos, o outro poupou mais. Por mais que se tenha uma gestão dessa forma, isto vai comprometer o casal lá para frente”, adverte.

Se já no começo não há uma conversa franca, com o passar do tempo, sentar e mudar o jeito de administrar o dinheiro do casal fica cada vez mais complicado.

Você já foi infiel financeiramente?

A analista de comunicação, Paula Santos, revela que o marido sempre foi o mais consumista da relação. Ela conta que a compulsão do parceiro por compras chegou a adiar a realização de alguns projetos em comum, como a compra do primeiro apartamento.

“Ele aparecia em casa com mais um perfume, mais uma camisa, mas nem tudo que comprava ele mostrava, porque sabia que eu questionaria e, segundo ele, queria evitar discussão ‘desnecessária’. Quando eu reclamava, ele concordava e ficava por isso mesmo. Passava um tempo e ele se empolgava novamente”, relata.

Situações como deixar uma compra escondida no porta-malas do carro ou comprar algo e omitir o valor real para o parceiro são práticas comuns para muitas pessoas. De acordo com a pesquisa do SPC, 29% dos entrevistados não revelam detalhes de suas finanças pessoais para o parceiro.

Essas omissões se encaixam na definição de traição financeira, e na maioria das vezes, quem comete nem mesmo percebe ou sabe o quanto isso pode ser prejudicial para a relação.

“Esses comportamentos são indícios de culpa, por estarmos fazendo alguma coisa que sabemos que não precisamos, que não era necessária, e pelo fato disso estar comprometendo algum plano conjunto. Então o medo do julgamento alheio faz com que a gente cometa essa infidelidade”, explica Leoni.

Para evitar essas situações, a especialista recomenda que cada um reserve para si mesmo uma espécie de “mesada”, um valor destinado a se auto presentear de tempos em tempos, combinado entre os dois, dentro do orçamento e livre de culpa.

Cadê o salário que estava aqui?

A contadora Aline Matos admite que gasta mais do que deveria com restaurantes, seu ponto fraco, ao contrário do marido, que é muito econômico e fica sempre de olho nos cartões de crédito. No fim do mês, os dois precisam correr para fechar as contas no azul. “A gente só briga por dinheiro!”, brinca a profissional. 

Compreender que existem perfis financeiros diferentes já é um grande passo para entender a forma como cada um lida com o dinheiro e, com isso, os casais podem encontrar recursos para que essas características não prejudiquem a vida financeira familiar.

Segundo a especialista Ana Leoni, existem instrumentos que podem dar ao esbanjador o controle externo que ele não tem sozinho. “Ter limite de cheque especial e de cartões de crédito muito baixos – ou nem ter -, ter uma aplicação que seja programada, que saia diretamente da renda e vá para um investimento pensado dentro dos objetivos do casal, por exemplo”, detalha ela.

Ponto central

Um grande gerador de conflito na relação é quando não há uma explicitação dos desejos e das prioridades, como quando um quer comprar um carro novo e outro, reformar a casa.

“Para evitar o conflito, a discussão sobre as decisões de compra não aparecem, e qualquer coisa que o parceiro queira fazer, que não tenha a ver com esses objetivos, vai parecer sabotagem de um para o outro e gerar discussões”, pondera Leoni.

Parece piegas, mas o segredo é conversar. A falta de diálogo é um desafio unânime, um ponto em comum tanto para casais que estão começando a relação quanto para aqueles que já estão juntos há bastante tempo. “É difícil para todo mundo, mas é uma prática que a gente precisa ter para tornar esse assunto um pouco menos traumático, menos tabu, menos difícil de se encarar”, finaliza.