Site Overlay

Como escolher BDR? Confira 7 dicas para investir no ativo

Em um cenário de juros básicos no Brasil na mínima histórica, aumentou o interesse de investidores brasileiros em buscar maiores retornos e diversificação. Além do valor investido e o número de pessoas físicas baterem recorde na bolsa brasileira em 2020, isso pode ser observado também na quantidade de investidores pessoa física em BDRs, que também saltou no ano passado.

Segundo dados da bolsa brasileira, em dezembro de 2020, eram 127 mil investidores em BDRs. Em janeiro de 2021, passou de mais de 167 mil. Em janeiro de 2019, eram menos de 3 mil. Ainda de acordo com a B3, no último mês do ano passado, a participação de pessoas físicas no volume de BDRs negociados no mês chegou a 20,5%. Em janeiro de 2021, passou para 28,4%.

Esse salto se deu após os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são recibos de ações de companhias estrangeiras negociados na bolsa brasileira, passarem a ser mais uma opção de investimento disponível a todos os brasileiros em outubro de 2020. Até então, somente investidores qualificados, ou seja, com mais de R$ 1 milhão em investimentos no mercado financeiro, tinham acesso a esse ativo.  

Veja também:

Opção de investimento recente para a maioria dos brasileiros, os BDRs são ativos de renda variável e, por se tratar de empresas estrangeiras e ter uma grande variedade à disposição (atualmente já são mais de 710 listados na B3), diversas são as dúvidas de como escolher o ativo.

O InvestNews ouviu o economista Luiz Augusto Prieto Thomaz, professor nas áreas de finanças corporativas, análise de investimentos e educação financeira do ISAE Escola de Negócios, e preparou um passo a passo do que o investidor deve se atentar antes e depois de escolher um BDR. Confira:

1 – O que considerar antes de investir em BDR

Apesar de os BDRs não serem a mesma coisa que uma ação, já que por meio dele o investidor não se torna um acionista, o economista recomenda que quem tem interesse em investir em um BDR leve em conta os mesmos fatores que se referem ao gerenciamento de risco em investimentos em renda variável, mais especificamente em ações brasileiras no mercado à vista, através da B3.

Segundo ele, a diferença é que o investidor irá experimentar o gerenciamento de risco com a volatilidade do mercado internacional. “Mente e comportamento, estratégia, técnica e gestão de risco são a essência, sempre. Lembrando que o risco, sob a ótica do investidor, é o que ele almeja remunerar, ou seja, obter um ‘ganho adicional’ em relação à taxa livre de risco (CDI/Selic)”, explica.

2 – Como escolher um BDR

O método, segundo Thomaz, é o mesmo utilizado na seleção de empresas da B3. Ele recomenda escolher aqueles que tenham bons fundamentos e em tendência de alta.

O economista sugere procurar os BDRs mais negociados, que são os não patrocinados (quando a iniciativa de emissão não parte das empresas estrangeiras), cujo o código tem as letras maiúsculas iniciais que representam o nome da empresa e o final 34. “No mercado americano, os papéis tendem a ser mais direcionais oferecendo boas oportunidades”, destaca.

O professor lembra que a diferença é que o investidor não será o sócio da empresa, justamente pela característica do BDR, de ser emitido por instituições brasileiras que estruturam as suas carteiras com as ações internacionais.

“A oportunidade de receber a rentabilidade de papéis como Apple, Facebook, Amazon e Google, comprando-as em real, sem ter que enviar uma remessa em dólar para uma corretora no exterior, é uma facilidade interessante para os pequenos investidores”, destaca.

3 – O que analisar

Da mesma forma com as ações, o investidor deve ter claros os fundamentos da empresa, conhecer mais sobre ela e suas perspectivas.

Para isso, o economista recomenda que o investidor de renda variável construa e escolha o seu método, avaliando e mensurando os resultados e ajustes necessários, para atingir a melhor performance ao longo do tempo. “Eu acredito que todo conhecimento e estudo irá somar sempre. Porém, para tomada de decisão, é necessário simplificar”, aponta.

Desta forma, Thomaz recomenda se atentar a alguns fatores, como:

  • Indicadores como ROE (Return on Equity) – retorno sobre o capital próprio; Dívida/Ebtida – dívida em relação à capacidade de geração de caixa que cobre as atividades operacionais; crescimento de vendas e receita líquida; margens operacionais; endividamento financeiro; dívida em relação ao Patrimônio Líquido (PL), entre outros múltiplos tradicionais do mercado de capitais.
  • Observar o comportamento do preço em cada ativo é de crucial importância. Para isso, é importante acompanhar a volatilidade dos preços no curto, médio e longo prazo, visualizando gráficos mensais, semanais, diários e intradiários. Através de filtros dos papéis por setor também é possível verificar a volatilidade, tendência e força relativa.
  • Utilizar médias móveis, estocástico lento (indicador que tem como função mostrar níveis de sobrecompra e sobrevenda para os ativos) e índice de força relativa (IFR, que mede a velocidade e mudança dos movimentos de preços) ajudam na tomada de decisão, que deve estar diretamente relacionada à estratégia e gerenciamento de risco.

O professor aponta que uma alternativa às opções anteriores é verificar o preço-alvo do ativo calculado pelo valor intrínseco, através do método mais utilizado pelos investidores de longo prazo: o investimento em valor. “É quando se investe no valor potencial, compra ações em baixa e espera lucrar com o desenvolvimento da empresa no longo prazo”, explica.

4 – Onde obter informações

Para se investir em um BDR, é preciso ter conhecimento sobre ele. Dessa forma, a informação é primordial para entender o potencial de crescimento de uma companhia, o setor do qual ela faz parte, as expectativas do mercado e resultados.

Nas corretoras em que o investidor possui conta, já é possível acessar diversas informações atualizadas sobre as oportunidades e novidades.

Veja também: Boletim de BDR

O professor ressalta ainda que cabe ao investidor construir competência para tomar decisões por si mesmo e ganhar confiança. Segundo ele, o único caminho é o aprofundamento conceitual e estudo do mercado. Ele orienta que é importante o investidor estudar constantemente, para melhorar a capacidade de filtrar a informação “quente”.

“Tem que trabalhar, ler, ouvir, assistir a vídeos e procurar cursos e treinamentos sérios. Como a diversidade e a quantidade de BDRs disponíveis são enormes, é necessário filtrar”, recomenda.

 5 – Como saber se o preço do BDR está vantajoso

Os investidores devem ficar atentos aos valores do BDRs, já que, por serem lastreados em ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras, estão expostos à oscilação cambial, apesar de serem negociados no Brasil em moeda nacional.

Assim, os BDRs espelham o movimento da ação no mercado internacional, e a valorização ou desvalorização do dólar acaba tendo reflexo no retorno do ativo. Com isso, o investidor tem ganhos quando o real se desvaloriza e também tem perdas no caso contrário.

Para entender melhor essa variação, Thomaz recomenda que o investidor acompanhe gráficos de seleção semanal, onde é possível verificar a tendência no longo prazo. Ele sugere inserir uma média móvel de 20 períodos e verificar se o preço está distante ou próximo dela. “Se estiver próximo e acima, talvez seja uma boa oportunidade”, destaca o economista.

Uma outra forma que o professor aponta é verificar os preços de fechamento do BDR nos últimos 60 dias, e comparar com o preço corrente na última semana.

6 – Após comprar um BDR, no que ficar de olho

Depois de investir em um BDR, é preciso monitorar o desempenho do ativo e analisar se ele continua correspondendo à estratégia de investimento. Para isso, Thomaz recomenda acompanhar índices, como o S&P500 e Nasdaq, no caso de empresas dos Estados Unidos, por exemplo, bem como decisões e pronunciamentos de autoridades monetárias e tendências do mercado global.

O economista também recomenda acompanhar especificamente os fundamentos e notícias sobre a empresa que se refere ao BDR.

7 – Decisão de venda do BDR

Antes de optar pela venda do ativo, o investidor precisa levar em consideração o risco e retorno, além de sua estratégia de investimentos.

Thomaz explica que, se o preço do BDR já andou a favor do ponto de entrada, é preciso verificar se, no mínimo, pagou duas vezes o risco. “Fazer realizações de resultado depende muito do perfil do investidor. Porém, a partir do momento que o preço paga o risco assumido, é interessante colocar o dinheiro no bolso”, avalia.

Já no caso do preço em tendência de alta, ele recomenda fazer realizações parciais e continuar com o saldo no ativo até o preço reverter a tendência.