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Ibovespa fecha em queda e perde os 105 mil pontos; dólar encerra estável

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, fechou em queda nesta terça-feira (28),  em meio a um cenário externo misto. Já o dólar encerrou praticamente estável contra o real, em sessão sem grandes catalisadores e de baixa liquidez devido à aproximação do final do ano, com a disseminação global da covid-19 e a saúde fiscal do Brasil no radar de investidores.

O Ibovespa recuou 0,65%, aos 104.864 pontos. O dólar encerrou em leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,6396. 

Câmbio

O destaque da sessão desta terça-feira (28), segundo participantes do mercado, foi o baixo volume de negócios devido à aproximação do final do ano, o que explicaria o vaivém da moeda visto mais cedo.

“Importante ratificar que estamos em uma semana de baixíssima liquidez nos mercados financeiros, por ser a última do ano, e acaba sendo difícil termos alguma ‘tração’ ou movimento que de fato nos traga para algum novo patamar”, disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital. “Devemos encerrar o ano assim, a despeito dos dois pregões que ainda temos na semana.”

Ele afirmou que a movimentação no mercado de câmbio local está em linha com o comportamento internacional do dólar, cujo índice frente a uma cesta de rivais fortes teve leve alta na tarde desta terça-feira, depois de passar boa parte do dia perto da estabilidade.

Cenário externo

O clima foi de menor preocupação com a variante ômicron do coronavírus e suas consequências econômicas, o que deu algum suporte a ativos mais arriscados, como as ações europeias e algumas moedas latino-americanas.

“A pandemia está sendo lida como mais uma ‘onda’ pontual”, comentou em blog Dan Kawa, CEO da TAG Investimentos, sobre o ambiente benigno para ativos considerados arriscados, citando “cenário de curto prazo mais construtivo, mas com riscos ainda elevados e crescentes de longo prazo”.

Entre os pontos de cautela, ele apontou a inflação global e a redução dos estímulos de grandes bancos centrais.

No Brasil

Na cena fiscal, ficou no radar do mercado a entrega de cargos por auditores da Receita Federal, na esteira de aprovação no Congresso de Orçamento de 2022 com uma reserva de R$ 1,7 bilhão para reajustar salários de policiais. Segundo o Sindifisco, a liberação desses recursos foi possível por meio de cortes nas verbas da Receita em 2022.

Segundo nota de Victor Guglielmi, economista da Guide Investimentos, a greve dos funcionários da Receita, bem como as negociações em torno reajustes do funcionalismo público, deve “sustentar cautela no início de 2022”.

Além disso, foi divulgada da taxa de desemprego no Brasil, que recuou para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, menor patamar desde fevereiro de 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda da taxa de desocupação se deu em paralelo a uma nova retração da renda real dos trabalhadores, que vem sofrendo o impacto da inflação acelerada em meio à reabertura da economia após a fase mais aguda da pandemia da covid-19.

O dia também teve informações importantes divulgadas pelo Ministério da Saúde, que constatou que foram confirmados 74 casos no Brasil da nova variante do coronavírus, a ômicron. Em 24 horas, desde o boletim divulgado na última segunda-feira, autoridades de saúde registraram 6.840 novos diagnósticos positivos da covid-19.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) também divulgou nesta terça-feira que o Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 1,3 ponto em dezembro, para 95,5 pontos — segunda queda consecutiva. Além disso, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) também foi divulgado, ele recuou 2,7 pontos na passagem de novembro para dezembro, para 85,3 pontos – em médias móveis trimestrais, o indicador caiu 2,9 pontos.

Destaques da bolsa

A Vale (VALE3) foi a principal contribuição negativa para o Ibovespa, na esteira da desvalorização do minério de ferro. Os contratos futuros do minério cederem 3,4% em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses. Os papéis da mineradora encerraram em queda de 2,72%.

Ainda sobre a Vale, houve contratempo nas negociações envolvendo sua joint venture Samarco – em conjunto com o grupo anglo-australiano BHP – com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

Já a Petrobras (PETR3PETR4) teve leve alta. A ação preferencial da estatal fechou com avanço de 0,10%. A empresa assinou com a Aguila Energia e Participações, em conjunto com a Sonangol Hidrocarbonetos Brasil, contrato para a venda da participação no bloco exploratório terrestre POT-T-794, na Bacia do Potiguar, em conjunto com a Sonangol. O valor da venda foi de US$ 750 mil.

Bolsas mundiais

Wall Street

O S&P 500 fechou em leve baixa após bater um recorde intradiário nesta terça-feira, conforme um rali de quatro dias perdeu força em negociações com baixo volume e investidores repercutiram interrupções de viagens e fechamentos de lojas causadas pela Ômicron.

Sete dos 11 principais índices setoriais do S&P 500 subiram nesta terça-feira. Tecnologia e Serviços de Comunicações lideraram quedas.

O índice fechou em baixa de 0,10%, a 4,786.35 pontos. O Dow Jones subiu 0,26%, a 36,398.21 pontos. O Nasdaq cedeu 0,56%, a 15,781.72 pontos.

Europa

As ações europeias fecharam em alta, impulsionadas por fortes ganhos de Wall Street, mesmo com a permanência de preocupações com a ômicron enquanto a França aumenta as restrições e os casos de covid-19 na Espanha e Reino Unido sobem. O índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,62%, a 488,50 pontos, maior patamar em cinco semanas.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,02%, a 7.372,10 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,81%, a 15.963,70 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,57%, a 7.181,11 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 0,78%, a 27.444,93 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,77%, a 8.688,90 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,47%, a 5.560,79 pontos.

( * Com informações da Reuters)

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