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Ibovespa na semana: siderúrgicas disparam enquanto aéreas devolvem ganhos

Primeira semana de janeiro chegou ao fim e para alegria dos investidores o Ibovespa, principal índice da B3, renovou vários recordes e bateu a marca dos 125 mil pontos nesta sexta-feira (8), de olho principalmente na “onda azul” nos Estados Unidos, com Joe Biden na presidência e uma maioria democrata no Senado.

O principal indicador da bolsa brasileira, o Ibovespa, subiu 2,2% aos 125.076 pontos nesta sexta-feira, maior patamar já registrado em um fechamento. Na primeira semana do ano, a bolsa subiu 5,09%.

O avanço das vacinas também acelerou os ganhos na bolsa brasileira. Nesta semana o governo de São Paulo informou que a vacina Coronavac – produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan – tem 78% de eficácia e solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido para uso emergencial. A análise para a aprovação pode levar até 10 dias.

Na corrida por quem salva o Brasil do coronavírus, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) não ficou atrás e também enviou, na manhã desta sexta-feira, à Anvisa um pedido de autorização para o uso emergencial de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca. O prazo para Anvisa responder é o mesmo da Coronavac.

Enquanto o governo Bolsonaro apoia a vacina da Oxford, João Dória não economiza esforços para fazer da Coronavac a pioneira. Se aprovado, o uso emergencial das vacinas deve priorizar grupos de risco como idosos, indígenas e profissionais da saúde.

Rossano Oltramari, estrategista e sócio da 051 Capital, disse mais cedo ao InvestNews que foram quatro os fatores que levaram o índice a bater os 125 mil pontos. Além da vacinação favoreceram: liquidez abundante no mundo, alta de commodities e investidor estrangeiro entrando forte no Brasil e em países emergentes.

Veja também: ‘País está longe de estar quebrado, mas tem crise de gestão’, diz economista

Maiores altas

As commodities lideraram os melhores desempenhos da semana, puxadas pela forte alta do minério de ferro, negociado no patamar de US$ 116,80 a tonelada.

Segundo Alexandre Jung, head de renda variável da Vero Investimentos, o setor de siderurgia acelerou com força por causa da demanda exponencial de minério de ferro na China.

Quando o país asiático aumenta seu apetite por commodities, as siderúrgicas chinesas elevam também o preço do aço. Em consequência, no Brasil as siderúrgicas reajustam o preço local para equiparar com o valor internacional, o que favorece as companhias. “Outro fator importante é a alta do dólar que beneficia estas exportadoras”, explica Jung.

A maior alta da semana foi da CSN (CSNA3) que avançou 21,70%, ainda entre as siderúrgicas subiu a Gerdau (GGBR4) que acumulou ganhos de 19,02%.

A Vale (VALE3) também acompanhou a valorização do minério, subindo 16,64%. Detentora de 17,4% da mineradora, a Bradespar (BRAP4) ficou entre os melhores desempenhos e teve alta de 20.50%.

Perto de completar dois anos da tragédia de Brumadinho, o governo de Minas Gerais está negociando com a Vale para fechar um acordo de reparação, de no mínimo R$ 28 bilhões, pelos danos causados no desastre. O rompimento da barragem da mineradora aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019 e deixou cerca de 270 mortos..

Ainda as maiores altas, duas companhias movimentaram os mercados na tarde desta sexta-feira, Notre Dame Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3) confirmaram à Reuters que estão negociando uma fusão, o que pode dar lugar a segunda maior empresa do ramo no país. O valor estimado do negócio é de R$ 100 bilhões.

As ações das companhias chegaram a valorizar com força nesta sexta-feira, GNDI3 disparou 26,59% e acumulou ganhos de 16,67% na semana. Enquanto Hapvida (HAPV3) saltou 17,67% e fechou a semana com valorização de 9,96%.  O plano prevê que os acionistas da Hapvida teriam 53,1% da empresa combinada, enquanto os da Notre Dame Intermédica ficaram com os 46,9% restantes.

“Hapvida é uma companhia com credibilidade entre os investidores e resultados sólidos”, reforça Jung.

Veja as cinco maiores altas desta semana:

AçãoAlta Siderúrgica Nacional (CSNA3) 21,70% Bradespar (BRAP4) 20,50% Gerdau (GGBR4) 19,02% Weg (WEGE3) 18,54%Notre Dame Intermedica (GNDI3)16,67%

Maiores quedas

No lado oposto do Ibovespa, a maior queda desta semana foi das Lojas Americanas (LAME4) que caiu 8,34%. Segundo o especialista, o setor de varejo tem recuado desde agosto de 2020 corrigindo os ganhos que estas companhias tiveram durante a pandemia, com especulação de investidores e maior entrada de capital. “É um movimento natural para 2021”, aponta.

Já o setor aéreo, com Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) caindo 6,87% e 5,73% respectivamente nesta semana, comprova que ainda será preciso muita paciência por parte do investidor para se beneficiar com a recuperação destas companhias.

Jung afirma que as aéreas até saltaram forte durante a semana na expectativa da vacinação, mas devolveram grande parte dos ganhos quando o mercado entendeu que imunizar 100% da população brasileira levaria entre 12 e 18 meses. “As companhias tem um futuro conturbado pela frente, a negociação com BNDES não deu certo e foram ao mercado buscar capital”, explica.

Segundo o especialista, é o mercado corporativo que está movimentando as viagens das aéreas, ele afirma que recentemente a Azul conversou com a Latam para dividir voos, mesmo após os presidentes das companhias brigarem publicamente em relação a quem assumiria as rotas deixadas pela extinta Avianca.

Apesar deste cenário complexo, o banco Citi reiterou sua recomendação de compra para as ações da Azul (AZUL4) nesta sexta-feira, com preço-alvo de R$49. De olho nos dados operacionais de dezembro e volume de tráfego.

Enquanto o Goldman Sachs vê as companhias aéreas bem posicionadas para a retomada econômica e também reiterou a compra dos papéis.

Veja as cinco maiores quedas da semana:

AçãoQueda Lojas Americanas (LAME4)8,34% Azul (AZUL4)6,87%Cia Hering (HGTX3)6,23%Eztec (EZTC3)5,73%Gol (GOLL4)5,73%