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Índice de Sustentabilidade Empresarial tem o pior desempenho na bolsa em 2021

Um levantamento da Comdinheiro antecipado com exclusividade para o InvestNews revelou que o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que representa companhias reconhecidas pelas suas boas práticas de sustentabilidade, teve o pior desempenho na bolsa no acumulado dos primeiros oito meses do ano, até 31 de agosto.

A carteira do ISE encerrou o período com rendimento negativo de 3,27%, enquanto o segundo pior índice foi o Ibovespa que recuou 0,20%. Já o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC) acumulou alta de 2,21%. De acordo com o levantamento, todos os índices perderam para a inflação, que entre janeiro e agosto acumulou alta de 5,67%.

Segundo Filipe Ferreira, diretor financeiro da Comdinheiro, o péssimo desempenho do ISE em 2021 é pontual, porque desde a sua criação em 2005, o índice já valorizou 294,73% contra o Ibovespa que subiu 245,06%.

Ele afirma que o resultado não reflete o potencial que as empresas membros desse índice possuem. “Temos que lembrar que a Bolsa está muito volátil por causa da crise gerada da pandemia”, comenta.

Para Marcos Rodrigues, sócio-fundador da BR Rating, esta queda também é atípica, considerando que o ISE tem um número menor de empresas do que o Ibovespa. Enquanto o ISE é composto por 39 empresas, o Ibovespa totaliza 91 ativos de 84 empresas.

Segundo Rodrigues, o resultado de cada companhia tem um peso maior na performance geral. Desta forma, se as maiores empresas pertencem a segmentos da economia muito impactados pela crise, é possível que elas derrubem o resultado do índice todo. “A volatilidade tende a ser maior quanto menos players integrarem o grupo”, afirma.

No Brasil, muitos investidores procuram rentabilidade aliada a responsabilidade ambiental, por este motivo geralmente investem em ações de companhias integrantes do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Já o Índice de Governança Corporativa (IGC) está formado por ativos com uma boas práticas de governança e compliance.

Para Rodrigues, da BR Rating, o melhor resultado do IGC é fruto da boa governança, voltada a resultados financeiros e cujas preocupações ambientais e sociais se limitam ao que determina a legislação. Ele aponta que são empresas que tem foco na lucratividade mas não deixam de lado a governança, o que acaba atraindo a atenção dos investidores.

Com os investidores cada vez mais exigentes, as tendências ESG (Environmental, Social and Governance) estão ganhando cada vez mais espaço no mercado de capitais.

Foi por este motivo que a B3 anunciou em agosto, o que o ISE deve passar por uma reformulação na sua metodologia, que passa a vigorar a partir de janeiro de 2022. Com a mudança, o questionário enviado para as empresas terá um foco mais setorial, e serão divulgadas as notas que cada companhia teve nos pilares sociais, ambientais e de governança.

O objetivo será dar mais transparência para o investidor e destacar as companhias com boas práticas ESG na carteira teórica do índice. No site da B3, é possível conferir mais detalhes sobre esta metodologia.

Atualmente a carteira teórica do ISE tem como principais pesos: Americanas (AMER3), Bradesco (BBDC4) e BRF (BRFS3), com participação acima de 3%. Com mais de 2% de representatividade, estão Assai (ASAI3), CCR (CCRO3) e Cemig (CMIG4).

Considerando o ISE e o IGC, a B3 conta com 7 índices focados nas temáticas ESG. Veja a seguir:

  • ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial)
  • Índice S&P/B3 Brasil ESG
  • ICO2 (Índice Carbono Eficiente), focado em mudanças do clima
  • índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC)
  • Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG)
  • Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT)
  • Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM)