Site Overlay

Lula elegível: bolsa fecha em queda de quase 4% e dólar vai a R$ 5,77

A bolsa despencou e o dólar fechou em alta nesta segunda-feira (8), com o mercado reagindo à notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá todas as suas condenações da Operação Lava Jato, podendo assim disputar as próximas eleições.

O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, caiu 3,97%, aos 110.612 pontos, após cair 4,28% no pior momento do dia, a 110.268 pontos. Já o dólar comercial terminou o dia a R$ 5,7788 na venda, em alta de 1,7%. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7846. Acompanhe mais cotações.

Nesta segunda, o real ficou entre as moedas que mais perderam valor frente ao dólar, mas atrás das divisas da África do Sul, Austrália, países da zona do euro e Suécia. No ano, no entanto, a moeda brasileira é a última colocada em uma lista com 25 países. Os dados são da Economatica, provedora de informações financeiras.

O que dizem os analistas

A decisão de cancelar as condenações foi do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, ela ainda pode ser revertida, pois a Procuradoria-Geral da República prepara recurso contra a decisão.

Depois da notícia, um dos temores citados por gestores e analistas é de que o atual governo, do presidente Jair Bolsonaro, tenda ainda mais para o lado de políticas consideradas populistas para ganhar popularidade, já de olho nas eleições do ano que vem.

“Se confirmada, a elegibilidade de Lula antecipa o jogo eleitoral de 2022, que já está bastante adiantado com Bolsonaro em campanha para a reeleição desde que assumiu o primeiro mandato. O mercado teme que o presidente possa reforçar suas políticas populistas para não perder vantagem nessa disputa. Além disso, com Lula de volta ao quadro eleitoral, a polarização tende a repetir 2018, esvaziando as chances de uma candidatura de centro no ano que vem”, afirma José Falcão, analista da Easynvest.

“Com Lula elegível, cresce ainda mais a chance deste governo ir totalmente para o populismo“, comentou à Reuters Alfredo Menezes, sócio-gestor na Armor Capital.

“Antes da discussão sobre a eleição de 2022, acho que a decisão (de Fachin) mostra a grande insegurança jurídica no país”, afirmou também à agência Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, para quem, por ora, uma piora estrutural do mercado ainda deve ser evitada por manutenção de contrapartidas fiscais na PEC Emergencial a ser votada pela Câmara dos Deputados.

“A elegibilidade do ex-presidente aumenta receios de uma volta da política intervencionista do último governo petista. As manifestações mais extremas do ex-presidente na ocasião do impeachment da sua sucessora e também no processo da Lava Jato provocam receios de uma política mais extremista, o que não agrada o mercado. A primeira reação veio com a alta do dólar, o que pode também fazer o BC aumentar ainda mais as taxas de juros”, complementa João Beck, economista da BRA.

Bolsas globais

Em Wall Street, as ações do setor de tecnologia sofreram uma liquidação nesta segunda, num movimento que empurrou o índice Nasdaq para território de correção e ofuscou ganhos em outros segmentos, que avançaram por esperança de que o projeto de lei de alívio à covid-19, de US$ 1,9 trilhão, estimule a economia dos Estados Unidos.

  • O índice Dow Jones subiu 0,97%, a 31.802 pontos
  • S&P 500 perdeu 0,535927%, a 3.821 pontos
  • O índice de tecnologia Nasdaq recuou 2,41%, a 12.609 pontos

As ações de bancos e montadoras impulsionaram os mercados europeus nesta segunda-feira, à medida que os investidores continuavam a ingressar em setores ligados à economia na esperança de uma recuperação sólida após o abrandamento do coronavírus no continente.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 1,34%, a 6.719,13 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 3,31%, a 14.380,91 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 2,08%, a 5.902,99 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 3,12%, a 23.681,57 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 1,90%, a 8.444,20 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,35%, a 4.688,10 pontos.

O mercado acionário da China registrou a maior queda em mais de sete meses nesta segunda-feira, uma vez que a meta do governo para o crescimento econômico em 2021 abaixo do esperado provocou preocupações de que as autoridades chinesas podem apertar a política monetária para conter as fortes valorizações.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 0,42%, a 28.743 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 1,92%, a 28.540 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 2,30%, a 3.421 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 3,47%, a 5.080 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 1,00%, a 2.996 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,22%, a 15.820 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 1,90%, a 3.071 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,43%, a 6.739 pontos.

(*Com informações da Reuters)