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Mercado de títulos chinês revela mundo oculto de dívidas

Incorporadoras imobiliárias da China enfrentam dificuldade para pagar contas que muitos de seus investidores de títulos nem sabiam que existiam.

Pagamentos não efetuados de dívidas fora do balanço patrimonial, como produtos de alto rendimento, empréstimos secretos e garantias de títulos privados abalaram o mercado de crédito da China nas últimas semanas. Credores de títulos em dólar tentam encontrar seu lugar na fila de pagamento em caso de default, o que leva a uma reavaliação do risco que praticamente congelou o mercado primário para incorporadoras.

Na quinta-feira (04), a Kaisa Group disse que não havia efetuado o pagamento de produtos de gestão de patrimônio, puxando a queda de títulos e ações da incorporadora. A Fantasia Holdings não pagou um título em dólar no mês passado, semanas depois de garantir que o capital de giro era suficiente e que não tinha problemas de liquidez. O não pagamento afetou a credibilidade de emissores chineses logo após a Bloomberg informar que a China Evergrande estava no radar por um título desconhecido emitido por outra entidade.

“Muitas dessas empresas têm muito crédito privado”, disse Philip Tse, diretor e chefe de pesquisa do setor imobiliário de Hong Kong e China na Bocom International. “É muito difícil dizer quem está seguro agora, porque todo o mercado perdeu capacidade de refinanciamento.”

Os repetidos choques apenas pioraram a percepção dos investidores em relação ao setor. Um índice que acompanha ações de incorporadoras caiu 3,3% na sexta-feira, para o nível mais baixo desde março de 2017. A ação da China Aoyuan despencou mais de 15%. O título em dólar da Shimao Group com vencimento em 2026 perdeu cerca de 10 centavos, cotado a 71 centavos de dólar. A empresa negou rumores online de que está em negociações para estender o pagamento de um produto fiduciário.

Com a derrocada, os rendimentos de títulos em dólar com grau especulativo, ou junk, subiram para 22%. Isso encarece muito recorrer ao mercado offshore para pagar dívidas, como incorporadoras faziam no passado. Outros meios para levantar capital se esgotam rapidamente. 

A queda das vendas de imóveis reduziu a receita, enquanto encontrar compradores para alienações de ativos se tornou um desafio. No mês passado, a Evergrande suspendeu negociações para vender o controle acionário de sua unidade de administração de imóveis, que teria levantado cerca de US$ 2,6 bilhões.

A Kaisa busca vender projetos imobiliários com valor combinado estimado em 81,8 bilhões de yuans (US$ 12,8 bilhões), informou o South China Morning Post na sexta-feira.

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