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‘Nova China’ está a caminho e nações devem aprender com ela, dizem economistas

A China chamou a atenção de investidores com temores envolvendo o possível calote da Evergrande e crise energética no país. Porém, as preocupações já estavam ganhando força quando o país asiático começou a anunciar o endurecimento de regulações em alguns setores. De um lado, um mercado promissor. De outro, aumento de regulações, desaceleração do crescimento econômico, maior ênfase ao consumo interno e autossuficiência. Uma nova China está a caminho?

Evandro Menezes de Carvalho, coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da FGV Direito Rio, explica que, desde a reforma econômica e a abertura do país (iniciada no final da década de 1970 pelo líder da República Popular da China, Deng Xiaoping), o objetivo era crescer e fazer negócios. Dentro desta política, a China foi vista como oportunidade por ter um grande mercado consumidor.

Com o passar dos anos, o  crescimento chinês tornou-se forte, acompanhado de industrialização, urbanização e ascensão chinesa no comércio mundial e o país ingressa, no começo do século 21, na Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Essa expansão da China no mundo vai ter repercussões da ordem econômica internacional. Ela se torna parceira econômica de centenas de países, além de um aumento cada vez maior do plano interno da classe média chinesa. E o mais importante é que, diferentemente das primeiras décadas da reforma de abertura para o mundo ir até ela, neste século, ocorre o inverso: ela que vai para o mundo”, explica Carvalho.

A economista Cristiana Helena Pinto Melo, professora de Economia da PUC-SP e do mestrado da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que o que faz a China ser potência mundial é estratégia. Segundo ela, o país entendeu a sua de forma clara, usando a seu favor o fato de que as economias de mercado não caminham sozinhas para o crescimento econômico.

“Tem um discurso liberal de que os mercados são eficientes e se auto-organizam. Eles são bons e eficientes mesmo, mas não para desenvolvimento econômico. Então esse é um papel do Estado importante e o governo chinês se colocou neste lugar de promoção do desenvolvimento econômico da China com uma estratégia muito bem construída”, destaca.

Nova rota chinesa?

O país asiático está em processo de reestruturação do seu modelo de desenvolvimento, acompanhado de maior ênfase ao consumo doméstico, redução da sua dependência da demanda externa, inovação tecnológica e uma maior autossuficiência.

Para Carvalho, a China está olhando um pouco mais para dentro, até porque o comércio interno está forte com o aumento da classe média, diante de um cenário ainda hostil externo. E que, no contexto atual de incertezas, com economias em contração, o governo chinês olha para dentro e quer aumentar a eficiência interna, do ponto  de vista de produtividade.

Melo considera este um excelente caminho da China. Ela explica que, quando se olha para as economias mais desenvolvidas, com maiores taxas de crescimento econômico, são justamente aquelas que estão se colocando em mercados de produtos mais complexos e, nesta área, a competição é muito baixa.

“São produtos diferenciados e, portanto, estas empresas têm grau alto de monopólio e comercialização e conseguem precificar estes produtos e não o mercado. Isso contribui para o desenvolvimento econômico destes países. A China, quando se posiciona nesta direção, ela está olhando para isso”, ressalta.

Desaceleração do crescimento chinês

A China chamou atenção nas últimas décadas com um desempenho econômico que a posicionou como um ator fundamental no cenário global, atualmente sendo a segunda maior economia do mundo.

Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) crescendo na casa de dois dígitos na sequência de alguns anos, por outro lado, se observa que, desde 2010, por exemplo, o PIB chinês vem passando por uma desaceleração do crescimento. Confira:

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O coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da FGV Direito Rio diz que esta desaceleração está relacionada aos reflexos da crise de 2008, que fez, por exemplo, a China passar a projetar um crescimento menor. Já atualmente, segundo Carvalho, existem outros fatores que impactam a economia do país, como a pressão dos Estados Unidos e a pandemia.

“São novos fatores que atrapalham o desenvolvimento da economia chinesa. Porém, por outro lado, o país está apertando o cerco, fazendo uma campanha anticorrupção. Todo este cenário, além das mudanças regulatórias, terá impacto na economia chinesa”, destaca.

Melo aponta ainda que, além da crise de 2008, que fez a China a começar a apreciar um pouco sua moeda e acumular reservas internacionais, tem outros fatores que impactam a desaceleração do crescimento da China, como a questão da energia.

A economista explica que o país teve limitações de produção de energia, tem restrições comercias impostas por países parceiros, além de um crescimento no custo de mão-de-obra. Ela acrescenta que tudo isso contribuiu para o país exportar menos.

Ao mesmo tempo, segundo a professora da PUC-SP, os chineses fizeram uma mudança na estratégia e voltaram a economia mais para dentro, pois têm um mercado interno grande e volumoso, aproveitando crescimento de salários, condição de consumo doméstico, além de opções de produtos mais sofisticado para exportação.

“Parte da indústria de produtos mais básicos, que fez com que a China crescesse bastante, ela começou a deslocar essa indústria para outros países da região e isso fez crescer o poder do país na Ásia. A China vem ajudando países asiáticos crescerem no seu entorno e vem se posicionando em setores mais estratégicos, mais complexos e, portanto, de maior rentabilidade. Houve uma mudança na estratégia chinesa de crescimento”, explica.

Além disso, a China, em seu 14º Plano Quinquenal (2021-2025), traçado a cada cinco anos pelo Partido Comunista Chinês como um norteador da economia e da sociedade chinesa com estratégias e diretrizes para ao período, chamou a atenção. Pela primeira vez na história, o país não incluiu uma meta para o crescimento do PIB.

De acordo com Carvalho, a pandemia de covid-19 e pressão dos Estados Unidos, além do aspecto imprevisível da retomada econômica mundial, são questões conjunturais que não permitiram o estabelecimento desta projeção pelo país.

“O governo publica essas metas para o povo chinês saber, e o cumprimento delas é fator de legitimação do partido. Se eles prometerem algo e não entregam, fica complicado para o governo. Não sei se é tendência para os próximos planos, mas acredito que fizeram isso por precaução”, diz o professor.

Carvalho explica ainda que, hoje, a projeção é que a China poderá ser a maior economia do mundo antes de 2030. “Isso é possível, pois o país tem uma sociedade que cada vez mais quer mais. A presença da China no mundo não tem nada a ver com dominação chinesa. É um exagero. É consequência de todo esse processo de desenvolvimento econômico. Mesmo que não quisesse muita coisa, por inércia, ela iria crescer”, aponta.

Melo lembra que, neste cenário, os Estados Unidos vêm reagindo nos últimos anos na tentativa de frear esse avanço econômico chinês. Porém, a economista explica que a China tem especificidades interessantes para potencializar seu crescimento, como um mercado de trabalho pujante, por ter território e economia grandes, além de uma condição populacional melhor que a dos Estados Unidos.

“Em que pesem alguns obstáculos, olhando para estratégia que a China vem adotando e como os outros países estão, eu diria que em 2030, com certeza, ela tem condições de passar a economia norte-americana. Porém, Joe Biden é mais perspicaz, parece mais estratégico, saiu da situação só de crítica de Donald Trump sem ações muito efetivas e pode colocar empecilhos significativos para esse desenvolvimento chinês”, ressalta a economista.

Impactos da desaceleração da China

Carvalho avalia que, do ponto de vista da competição de setores, a desaceleração do crescimento da China pode ser uma ameaça, pois, se o país se tornar cada vez mais eficiente, será um grande concorrente, sendo difícil para outras nações disputarem com ela.

A professora de economia Cristina Helena lembra ainda que, por ser um país muito grande, a desaceleração pode causar impactos nos preços dos mercados mundiais. “Se o país entra comprando, os preços sobem. Se entra vendendo, os preços caem”.

A economista diz também que a China usa estratégia a seu favor e tem aumentado seu poder geopolítico, deixando de depender de países e passando a buscar outros mercados para não depender de uma única nação e negociar melhor seus preços.

Com relação aos possíveis impactos no Brasil, Melo pontua que a China, parceira comercial de longa data, é uma das maiores compradoras do Brasil em quantidade e que uma desaceleração representa uma diminuição destas exportações, tendo impacto sobre o preço no mercado mundial.

“Mas não podemos deixar de olhar o fato de que o país asiático tem outras relações com o Brasil. Tem muitos empresários chineses que compraram participações acionárias expressivas nas principais empresas brasileiras. Alguns compraram empresas no Brasil. Não temos um impacto simples. Ela pode impactar os negócios que administra no nosso país”, avalia a economista.

Endurecimento de regulações

O governo chinês vem anunciando o endurecimento de regulações em grandes áreas de sua economia.

No final do ano passado, por exemplo, o IPO do AntGroup, braço financeiro do Alibaba (BABA34), que planejava levantar mais de US$ 30 bilhões, foi suspenso. A mídia estatal emitiu alertas sobre a potencial instabilidade financeira que poderia resultar do rápido crescimento da gigante de tecnologia.

Na sequência, empresas de aplicativos de entrega de comida ou de transporte  foram obrigadas a assumir responsabilidade por seus parceiros e aumentar seus rendimentos.

Na Educação, o país proibiu aulas particulares com fins lucrativos em disciplinas escolares básicas, em um esforço para aumentar a taxa de natalidade do país, reduzindo o custo de vida da família.

No campo tecnológico, as novas regras têm como objetivo regular o uso de dados, algoritmos  ou outras formas para fazer o redirecionamento do tráfego da internet, com o objetivo  de banir a prática de acordos de exclusividade entre comerciantes e plataformas em meio a preocupações da sua influência na vida dos consumidores.

Segundo o governo, estas diretrizes visam um desenvolvimento saudável de novos setores da economia, por meio de boas leis e boa governança.

Carvalho diz constatar uma China cada vez mais regulatória com um país cada vez mais tecnológico. Segundo ele, a combinação de tecnologia e regulação pode aumentar a eficiência de produtividade, além de dar condições para o país passar bem o atual momento de crise econômica mundial.

“A China começa a estabelecer uma política regulatória um pouco mais sofisticada, pois o país se tornou mais complexo. A intenção, no meu ponto de vista, é ampliar a concorrência interna e abrir espaço para novos atores do mercado justamente para favorecer o objetivo de ampliação da classe média do país. Parece que aqueles anos iniciais da política de abertura que era crescer quase sem limites e ver na frente o que iria dar não será assim”, destaca.

A economista Cristina Helena Melo diz não se surpreender com este cenário no país asiático, que, segundo ela, está tentando manter sua posição duramente conquistada.

Melo explica que a China tem questões domésticas complexas para administrar e vem em um caminho de manter sistemas internamente e que, consequentemente, está sendo visto o desenho de uma “arquitetura própria”, com o endurecimento  das regras.

“A China é muito indireta nas suas ações, diferentemente, por exemplo, dos Estados Unidos. Tem que saber entender o “jogo chinês” e ele não é claro, explicitado, pois não faz parte da cultura chinesa”, diz.

Carvalho afirma que esse aumento de regulações não afasta o investidor estrangeiro, pois aumentou o número de investimentos de fora no país. Segundo o Ministério do Comércio chinês, nos cinco primeiros meses deste ano, o Investimento Estrangeiro Direto (IDE) que entrou na parte continental da China expandiu 35,4% em termos anuais.

O coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da FGV Direito Rio destaca, no entanto, isso ser um fato curioso, já que a China está tendo uma ação do Estado muito forte e voltada para si, porém, se torna uma sociedade do ponto de vista de mercado um pouco mais previsível e segura e que, somada ao mercado consumidor, que é grande, e uma classe média que tende a expandir, faz com que empresas desejam ir para lá.

Uma nova China está se configurando?

Com o processo de olhar mais para seu interior, endurecer regulações, reestruturar seu desenvolvimento, Carvalho acredita que o país caminha para ser uma nova China. “Isso  culminará em 2049, quando ela pretendem anunciar ser um país desenvolvido, pois será o centenário de fundação da República Popular da China e a intenção é dizer para o mundo esse objetivo: uma China mais próspera, moderna e desenvolvida”, acredita.

O coordenador do núcleo de estudos China-Brasil da FGV Direito Rio defende que o Brasil tem que manter uma relação muito próxima com o país, produtiva e tirar proveito para entrar no campo da tecnologia, sem abrir mão da boa relação com os Estados Unidos, e que não é hora para ficar criando problemas políticos.

Cristina Helena defende que o crescimento chinês é mérito e estratégia do país  e que o que teria que ter sido feito para brecar o poder da China na região teria que ter sido realizado alguns anos atrás, pois, hoje, o país já investiu recursos substantivamente no seu entorno e também captou recursos desses países.

“Essa nova China é a antiga se adaptando ao novo contexto. Deveríamos esperar que nossas economias fizessem o mesmo caminho. Olhassem para o contexto e fossem mais estratégicas. Não se trata de esperar o que vem da China. Há limitações que essa desaceleração da China impõe para o mercado global, mas a questão é: o que queremos? Essa nova China é para aprender”, acredita Melo.

O economista Fabio Astrauskas, professor do Insper e CEO da Siegen Consultoria, avalia que pode ser que está sendo vista uma China que já considera que cresceu o suficiente para começar, de fato, a colocar uma oposição a outras economias e já se sente, suficientemente, do ponto de vista politico, tecnológico, comercial e militar fortalecida para negociar um equilibro no cenário mundial.

“Parece haver uma mudança na postura de condução econômica do governo chinês, mostrando que ele está incomodado com a concentração de riqueza na mão de alguns empresários. Isso pode ser uma virada de postura da China com relação à política capitalista. Fica uma incógnita e agora parece fazer sentido”, avalia.

Nova China X investimentos

O professor do Insper explica que a China, pela natureza da sua posição política e econômica, traz para o investidor de longo prazo algum tipo de receio. E que, tradicionalmente, o governo chinês vem adotando ao longo dos últimos 20 anos uma política bastante previsível com relação a investidores e às condutas e isso, segundo Astrauskas, parece estar mudando com o endurecimento das regulações.

“O governo chinês tem bastante consciência de investimento no país, com relação à saúde financeira das empresas lá, mas não é muito transparente com o resto do mundo para demonstrar o quanto isso pode ou não afetar os negócios. O que podemos ver são novas surpresas vindas por parte da China, com relação a investimentos, e essas surpresas não serão, provavelmente, positivas”, defende.

Astrauska  explica que a demanda maior do país é natural à medida que a China cresce e assume importância de protagonismo no cenário mundial. “É muito difícil isso retroagir. Uma vez que as pessoas se acostumam com maior renda, maior acesso a bens, mais consumo, por maior e mais poderosa que seja a economia chinesa, ela depende de insumos, de comércio e de movimentos financeiros de outros países.  Portanto, não acredito que ainda que haja esses movimentos de autossuficiência”, afirma.

Impactos para a bolsa brasileira

O economista afirma que empresas listadas na bolsa de valores brasileira que têm comércio intenso com a China, como o caso da Vale (VALE3), por exemplo, podem sofrer impactos para cima ou para baixo, dependendo do caminho que o comércio e o preço das commodities caminham.

Porém, de acordo com Astrauska, o Brasil, neste momento, tem problemas mais significativos que podem impactar na bolsa de valores do que das mudanças acontecendo na China.

“A Vale tem peso importante, mas, mesmo assim, os movimentos chineses não são de crise global e não vão mudar muito o cenário de investidor de bolsa. Os impactos serão mais pontuais, concentrados em alguns setores, tipo de empresa. Poderão ter algum momento movimentos especulativos”, diz o professor do Insper.

Ele ainda pontua que, no curto prazo, uma possível diminuição da dependência econômica chinesa não será muito correlacionável. Já em um médio e longo prazo, sim, caso a China tenha movimento mais estatizado. “Isso terá um efeito de longo prazo, mas não é algo que não possa ser imprevisível e ajustado pelo mercado”, avalia o economista.

Neste cenário, Astrauska pondera que é momento de cautela por parte dos investidores e não de arrojo. Segundo ele, é hora de manter e não de aumentar as posições em empresas que possuem relação com a China. E que, no longo prazo, é preciso acompanhar o que pode acontecer.

Mudança de olhar para a China?

Astrauska  avalia que o investidor deve olhar para a China não como fazia anos atrás, pois é um país de oportunidade, crescimento, mas é importante observar e rever se esse crescimento foi embasado em competência e planejamento.

“É um momento de reflexão, de parar e observar se o portfólio de investimentos deveria estar tão pesado em China, de empresas que têm relacionamento comercial com o país. Não pode deixar de lado, por ser uma economia importante, mas é sem previsibilidade”, alerta.

De acordo com Jennie Li, estrategista de ações da XP investimentos, em 2021, China e Hong Kong estão entre os mercados com as performances mais fracas no mundo, quando comparados aos principais índices de bolsas globais.

Segundo ela, quatro fatores principais estão impactando o mercado chinês desde o começo do ano, que pressionaram os preços de ativos no país: políticas mais restritivas em relação a alguns setores, dados econômicos mais fracos, reflexos da crise na Evergrande e queda abrupta no preço de algumas commodities.

Em relatório, a estrategista aponta que esses fatores não só pressionaram os ativos chineses, como também levaram a uma grande dúvida nos investidores: se a economia chinesa estaria desacelerando de forma mais abrupta, ou se essa fraqueza seria apenas temporária.

Segundo Li, nos últimos 10 anos, o mercado de ações chinês quadruplicou de tamanho em termos de capitalização enquanto que o mercado de títulos de dívida multiplicou por sete vezes. Hoje, ambos são, em suas respectivas categorias, o segundo maior mercado do mundo.

Para a estrategista de ações, são várias as razões pelas quais a China representa uma oportunidade interessante de investimentos no médio e longo prazo, como:

  • ser a segunda maior economia do mundo, com o PIB de US$ 14 trilhões e aproximando-se rapidamente dos EUA;
  • o país possui um grande mercado consumidor, há quase duas vezes mais pessoas na China do que no continente europeu e quatro vezes mais do que nos Estados Unidos;
  • foco em inovação e tecnologia;
  • potencial para dobrar a renda per capita e maior acesso aos investidores internacionais.

Jennie Li  destaca que as  dúvidas em relação às políticas do governo chinês devem se manter no horizonte dos investidores e que, além disso, os receios em relação à economia chinesa passam por uma desaceleração momentânea ou mais estruturada e se a crise imobiliária será contida ou não

“Portanto, no curto prazo, é difícil enxergar catalizadores que farão com que os investidores voltem a ficar mais otimistas com o mercado chinês. Essas incertezas podem manter as ações do mercado chinês pressionadas no curto prazo”, avalia a estrategista.