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Petrobras sobe mais de 5%, mas Ibovespa vira e fecha em queda; dólar recua

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda nesta segunda-feira (19), após subir durante a tarde puxado pelo forte avanço da Petrobras (PETR3 e PETR4) após declarações do novo CEO da empresa sobre a política de preços. Já o dólar fechou em queda em relação ao real, seguindo a tendência no exterior. Mas, internamente, o mercado segue de olho na definição sobre o Orçamento, que deve ocorrer ainda nesta semana.

O Ibovespa caiu 0,15%, aos 120.943 pontos. Já o dólar recuou 0,65%, comercializado a R$ 5,548. Veja outras cotações.

Cenário externo e incertezas internas

De forma geral, investidores globais seguem repercutindo a percepção de que o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, o Fed) manterá estímulos por tempo indeterminado. Além disso, a retomada econômica pelo mundo alimenta a busca de investidores por risco – o que beneficia o real e a bolsa brasileira.

Nesse cenário, apesar de toda a volatilidade, o real tem seguido o comportamento de outras moedas mais recentemente.

Mas, do lado doméstico, o clima de incerteza e de expectativa se mantinha. A novela envolvendo o Orçamento de 2021 – considerado inexequível na forma como aprovado pelo Congresso, com subestimativa de despesas obrigatórias – dominava o foco dos mercados, à espera de uma resolução.

“Devemos ter uma solução para o Orçamento essa semana”, disse em post no Twitter Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter. “Além do esperado acordo, o controle da pandemia e reabertura da economia devem melhorar as perspectivas para o resultado fiscal”, acrescentou, mas ressaltou que essas previsões dizem respeito apenas ao curto prazo, uma vez que o país pode voltar a apresentar riscos às contas públicas este ano e em 2022.

Thiago Andrade, sócio da Athena-BGA Investimentos, disse à Reuters que a “pressão (sobre o real) pelo risco fiscal vai continuar”. “Não acho que vamos ter um real mais valorizado por um bom tempo, a não ser que fatores internacionais afetem o mercado doméstico.”

Andrade chamou atenção para dados mostrando que a atividade econômica brasileira registrou o nível mais forte de expansão em sete meses em fevereiro, no décimo mês seguido de crescimento, segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

Segundo ele, o resultado promissor pode ser um fator de alívio para a moeda brasileira nesta segunda-feira.

Destaques da bolsa

PETROBRAS subiu 5,03% na ação PETR3 e 5,8% na PETR4, beneficiada pelo viés positivo dos preços do petróleo no exterior, mas com as atenções de agentes financeiros também voltadas para a posse do novo presidente-executivo da petrolífera, Joaquim Silva e Luna. A ação PETR4 chegou a disparar mais de 8% na máxima do dia e a PETR3, mais de 7%. Silva e Luna disse que a empesa tem como alguns dos principais desafios buscar reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis sem “desrespeitar” a paridade de importação.

LOJAS RENNER (LREN3) caiu 3,56%, após anunciar oferta primária de ações, que deve precificar em 29 de abril e pode movimentar até R$ 6,5 bilhões. Na sexta-feira, as ações dispararam em meio a especulações de uma oferta de ações, e a companhia confirmou durante o pregão que avaliava um follow-on. A oferta, na visão de analistas do Credit Suisse, sugere mudança de atitude da varejista em relação a movimentos de aquisição, acrescentando o follow-on deixará a empresa com um caixa significativo para partir para compras.

BRASKEM (BRKM5) valorizou-se 5,62%, ampliando a alta em abril e no ano, em meio a expectativas relacionadas à venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht) na petroquímica. No fim de semana, o Estadão publicou que o Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes, conversa com a Novonor sobre uma possível aquisição da sua fatia de 50,1%.

JBS (JBSS3) avançou 3,74%. A maior produtora de carnes do mundo voltou às compras, mas dessa vez para adquirir a europeia Vivera por 341 milhões de euros, de olho no forte crescimento do mercado vegetariano. Analistas destacaram que o mercado de produtos vegetarianos é de maior valor agregado e que a transação colabora para diversificar a atuação da JBS, que pode estar de volta às aquisições.

VALE (VALE3) recuou 0,87%, após recorde intradia e antes da divulgação do relatório de produção e vendas no primeiro trimestre, nesta segunda-feira. Na máxima, a ação chegou a R$ 109,88, maior cotação já registrada pelo papel num pregão, alcançada pela primeira vez na quinta-feira. No radar, os preços do minério de ferro na Ásia avançaram, uma vez que siderúrgicas na China seguira aumentando a produção apesar do escrutínio do governo por questões ambientais.

ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) caiu 1,5% e BRADESCO PN (BBDC4) cedeu 0,45%, em sessão negativa para o setor.

BLAU (BLAU3) subiu 2,39%, a R$ 41,10, em estreia volátil na B3, após a farmacêutica precificar IPO a R$ 40,14 na semana passada, em que levantou R$ 1,1 bilhão na oferta base. O lote adicional não foi exercido. O suplementar pode elevar a oferta a R$ 1,26 bilhão.

Bolsas globais

Os mercados de ações nos Estados Unidos fecharam em baixa nesta segunda-feira, recuando dos níveis recordes marcados na semana passada, com investidores aguardando indicações dos resultados corporativos do primeiro trimestre, enquanto as ações da Tesla caíram 3,4% após um acidente fatal de carro.

  • O Dow Jones caiu 0,36%, para 34.077,63 pontos.
  • O S&P 500 perdeu 0,53%, a 4.163,26 pontos.
  • Nasdaq Composite caiu 0,98%, para 13.914,77 pontos.

As ações europeias fecharam com variação negativa nesta segunda, ligeiramente abaixo de máximas recordes, com uma abertura mais fraca em Wall Street e a recuperação das moedas compensando o otimismo sobre um início sólido para a temporada de balanços corporativos.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,28%, a 7.000,08 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,59%, a 15.368,39 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,15%, a 6.296,69 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,21%, a 24.691,46 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 1,14%, a 8.711,40 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,08%, a 5.012,57 pontos.

O mercado acionário da China fechou em alta nesta segunda-feira, com o índice de blue-chips registrando o melhor dia em seis semanas, liderado pelos ganhos em empresas de veículos de nova energia, enquanto forte entrada de fluxo estrangeiro também ajudou o sentimento.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,01%, a 29.685 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 0,47%, a 29.106 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 1,49%, a 3.477 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 2,43%, a 5.087 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 0,01%, a 3.198 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,61%, a 17.263 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,25%, a 3.209 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,03%, a 7.065 pontos.

(*Com informações da Reuters)